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Ya Sabemos Quien Somos De partida para os Estados Unidos, os Primitive Reason despedem-se com um dos melhores albuns nacionais deste ano. A crueza de 'Alternative Prison' desapareceu, face a uma estupenda produção de Marsten Bailey e a uma grande injecção de experiência nos membros da banda, fruto da quantidade de concertos com que nos presentearam nos últimos dois anos. Daqui resulta que o som de 'Tips & Shortcuts' é muito claro, trabalhado, limpo. Por outro lado, as mudanças de estilo dentro das canções, um dos pormenores mais contestados na música dos Primitive, são aqui excepcionalmente executadas. Para além das habituais misturas rítmicas, há também lugar para temas como Clocking, uma das pérolas do disco, em que o baixo nos embala do início ao fim, sendo acompanhado a certa altura por umas cordas à la Ben Harper. Seria certamente a preferida de Mário Caldato Jr., dada a sua homogeneidade. E falando no produtor brasileiro, lembram-se de Cuando uno pisa un caracol? Lembram pois. Então redescubram a canção em Fables e Man and The Mask. Fables é a versão original de Cuando uno pisa un caracol, uma reconstrução de Mário Caldato. No original mantém-se o ritmo do baixo de Guillermo de Llera e o refrão, mas o saxofone de Mark Cain, por exemplo, está muito mais presente, ao contrário da versão apresentada em 'Tejo Beat', em que o sax aparece na parte final, para uns delírios. Man and The Mask é uma das canções mais geniais do album, com Guillermo incansável a rappar umas das melhores letras dos Primitive. E lá pelo meio encontramos um bocado de Cuando uno pisa un caracol, claro está. A variedade de estilos é evidente. Object, single escolhido por Henrique Amaro, é puro ska a lembrar os Madness, com um arranque metaleiro que não lhe fica nada mal. El Otro, que está para Tips como Sold Out estava para Alternative, surpreende quando no meio das guitarras poderosas deparamos com uma pausa meio jungle. Surpresa das surpresas...soa bem. E que tal uma espécie de versão skazzada de The Brews dos NOFX? Ouçam 24 Pints, é uma autêntica festa. As letras de Tips não são contestatárias como as de 'Alternative Prison'. Contam-nos histórias, sejam elas de Índios calcorreantes ou de trips de L.S.D., a autoria das quais é repartida entre Guillermo, com os seus trava-línguas, e Brian, que parece procurar inspiração numa amiga de 7 dedos quando as compõe. E pelos vistos tem resultado. Veja-se o caso de Glowing, a pérola das pérolas, canção que abriu os concertos dos Primitive no ano transacto, e que abre também o cd. Começa com um lamento calmo, que atempadamente se transforma em raiva desesperada, e volta à calmaria inicial até terminar inesperadamente, dando lugar a mais dez canções que fazem com que este disco esteja a girar sempre que possível. Como dizem na letra de El Otro, eles já sabem quem são. São um excelente grupo de músicos. E compreendendo isso, vão-se embora. A melhor sorte lá fora, Primitive Reason. Um dia vamos vê-los na MTV (isto se calhar não é boa coisa para se desejar a alguém... a ver vamos). John Doe
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