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Pergaminho de Fogo Por NUNO PASSOS Sábado, 27 de Março de 2004 Os eclécticos Primitive Reason atracam esta noite no Hard Club, em Gaia, para promover o quarto álbum, "The Firescroll" (Kaminari Sama, 2003). O colectivo dos luso-americanos Abel e James Beja destila uma fusão de estados de espírito e de ambientes reggae, hardcore e urban grooves, somados com a fibra étnica da guitarra portuguesa, cítara ou bouzouki. Nasceram há uma década na baía de Cascais, entre o gosto pelos skates e pelas claves de sol. A partir daí, vestiram a pele de cidadãos do mundo e partiram à descoberta das raízes étnicas e das civilizações esquecidas. Pelo caminho, soltaram migalhas da experiência cultural acumulada, em "Alternative Prison" (1996), "Tips & Shortcuts" (1998) e "Some of Us" (2000), vindo a montar a tenda no "melting pot" de Nova Iorque. Os quatro Primitive Reason são um cubo de Rubik onde coexistem e divagam sons, cheiros e culturas centrifugados. "White Tree" ataca as pulsações cardíacas, "Had I the Courage" balança pelos ambientes "smooth", "Kindian" espelha o grito de raiva, o hino "Seven Fingered Friend" agita as "good vibes". A "world music" mística dos contadores de histórias é o prato forte de uma noite que inclui ainda na ementa Nagual e Tendrills. Os primeiros, que já estiveram no Quinta dos Portugueses, disparam rock alternativo com tempero da América profunda, enquanto os segundos, que editaram recentemente o disco debutante "Gray Area Zone", arremessam nu-metal com espírito "groove".
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